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Eleições presidenciais 2016: como distinguir a personagem da pessoa real?

Terça-feira, 12.01.16

Aqui iniciei a minha análise do perfil de Presidente que considerei ser o mais adequado à nossa situação actual.

Aqui revelei a minha alegria (e um certo alívio) com a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa.

E aqui comecei a analisar a campanha eleitoral, os debates na televisão, o comportamento dos candidatos.

 

E agora vamos então à forma de distinguir uma personagem de uma pessoa real:

1. A interacção: quando estamos perante uma personagem não nos sentimos à vontade, sente-se um espaço entre nós, uma barreira invisível, o olhar não é caloroso, acolhedor, não nos fita nem nos envolve, não há empatia nem proximidade; quando estamos perante uma pessoa real sentimos-nos imediatamente à vontade, o olhar sorri e acolhe-nos, há uma empatia e proximidade, identificamo-la como um de nós, como um velho amigo que voltamos a encontrar.

2. A mensagem: quando ouvimos a mensagem de uma personagem não há ressonância com a nossa vida, com o nosso quotidiano, não é para nós que está a falar, não há verdadeira comunicação, é como um actor num palco; quando ouvimos uma pessoa real falar sentimos uma ressonância com a nossa vida do dia a dia, fala connosco, há empatia e comunicação.

3. Os apoiantes: o grupo de suporte e de referância diz muito de uma personagem pois, tratando-se a personagem de uma construção, é o grupo que na realidade exerce influência e poder, a personagem molda-se a essa influência e poder, como um actor se molda ao guião, não há pensamento próprio; a pessoa real pode ter apoiantes mas não são eles que definem o seu pensamento, pode ouvi-los e trocar ideias, mas é autónomo.

 

E pronto, espero ter descrito as principais diferenças entre os candidatos. Não se trata, portanto, de ser de esquerda ou de direita, mas sim de perfil e de papel.

A escolha será entre uma personagem e uma pessoa real, qual é que preferem?

A escolha será entre a ambição de mais poder e o equilíbrio de poderes.

A escolha será entre o poder dos bastidores e o poder do seu exercício.

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:51

Eleições presidenciais 2016: quem perde com os debates?

Sexta-feira, 08.01.16

Como já disse aqui, estou a acompanhar os debates presidenciais com atenção e interesse. E como também disse, um candidato pode representar mas não todo o tempo. Há momentos fugazes em que se revela. E aí vamos compondo o puzzle.

 

Já ouvi vários comentadores referir que Marcelo Rebelo de Sousa não assume nestes debates uma posição firme, que se mostra sempre simpático e sorridente, a cumprimentar os adversários. E mais, que o debate a sério só começou ontem, com Sampaio da Nóvoa. Discordo. Se aquelas agressões de Sampaio da Nóvoa e de Clara de Sousa foram o desafio para um debate, então não sei o que é um debate, pois mais parecia um interrogatório. Mais parecia um interrogatório em que quem pergunta já sabe a resposta. Clara de Sousa para Marcelo: Vai ser um presidente herbívoro ou carnívoro? Como Marcelo não responde, porque esta pergunta não tem resposta, insiste: Vai haver sangue? Incrível, mas foi o que percebi. Mais à frente: O que responde a esta acusação ( de Sampaio da Nóvoa) de que gosta de se ouvir a si próprio? E tudo neste estilo inquisitório.

Sampaio da Nóvoa às tantas acusa Marcelo de ser anti-democrático por não concordar com as despesas de algumas campanhas presidenciais. Está tudo dito. Insiste também na tecla que todos sabiam que já tinha decidido há muito que se iria candidatar, ao que Marcelo questiona Todos quem?, Todos nós. Perante esta insistência Marcelo pergunta Mas sabe como? Estava dentro da minha cabeça?

Aos comentadores que acham que esta amostra é um exemplo de debate, eu digo que isto é apenas uma agressão verbal para ver se conseguem colocar Marcelo à defesa. Mas a questão essencial é: à defesa de quê? De acusações como ser um solitário por não ter apoios políticos na campanha?, de falar para si próprio?, de ter sido comentador político? Pelo meio, ainda tivémos o tema do aborto, das barrigas de aluguer, e outros temas do género. 

 

É aqui que introduzo a pergunta do título do post: quem perde com os debates?

Debate, segundo o "Novo Dicionário Compacto da Língua Portuguesa, António de Morais Silva, Editorial Confluência, 6ª ed., 1990, vol. II": s.m. Discussão; disputa; altercação; contenda. // Combate; peleja. // Pl. Duelo de alegações pró e contra da defesa e da acusação em tribunais judiciais. // Discussões no parlamento entre membros de diversas facções.

Neste debate Marcelo - Sampaio da Nóvoa, o debate foi levado à letra, de facto mais parecia um tribunal: O senhor é herbívoro ou carnívoro? Vai haver sangue?... Então e o que pensa da barriga de aluguer?, assim de chofre, e o aborto?

Entendido o debate como "discussão, disputa, altercação, contenda, combate, peleja", ou "duelo de alegações pró e contra da defesa e da acusação", ou "discussões entre membros de diversas facções", perde quem prefere a troca de ideias.

Entendido o debate como troca de ideias e esclarecimento dos eleitores sobre essas ideias, sobre o percurso do candidato, sobre a sua interpretação do papel de Presidente e da Constituição, perde quem prefere o duelo.

 

 

 

 

Sampaio da Nóvoa não respondeu à pergunta de Marcelo: De que lado estava no 25 de Novembro? Mas esta pergunta é que é verdadeiramente essencial. Porque tem a ver com a Constituição, a base fundamental do papel do Presidente. O mesmo seria perguntar: Qual é a Constituição em que acredita?, a de 76 ou a actual, de 82?

 

Persiste na cultura portuguesa um gostinho pela perseguição, o assédio moral, o bullying. Veja-se nas praxes. É a linguagem do poder. A justiça do pelourinho.

É por isso que me dediquei no Vozes_Dissonantes a procurar os vestígios de um Portugal antigo, da amabilidade, da colaboração, da comunidade. Um Portugal universal, tolerante, de equilíbrios.

 

Dos debates presidenciais até hoje, apenas dois candidatos revelaram poder vir a exercer o papel de Presidente nessa cultura da amabilidade, colaboração, tolerância e de equilíbrios: Marcelo Rebelo de Sousa e Maria de Belém. A haver segunda volta, que seja com estes dois. 

 

 

  

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:05

Eleições presidenciais 2016

Terça-feira, 05.01.16

Tenho acompanhado a maior parte dos debates televisivos com os candidatos a Presidente. Há quem diga que os debates são muito maçadores e que não vão alterar a escolha dos eleitores. No meu caso, têm sido muito divertidos e esclarecedores.

Há perfis para todos os gostos. E mesmo que saibamos que a tendência de qualquer candidato é dar a melhor imagem de si mesmo, é impossível representar todo o tempo. Há momentos fugidios em que se revelam na sua autenticidade. É preciso estar muito atento para os apanhar.

 

Aqui já tinha referido qual o perfil ideal de Presidente, sobretudo na actual situação do país. Portanto, no meu caso, é só perceber quem corresponde ao perfil que aí considerei. Interessante é perceber que uma pessoa pode ser perfeita para um lugar numa determinada circunstância. Sim, é Marcelo Rebelo de Sousa

 

Surpresas positivas dos debates: Maria de Belém e Marisa Matias, as duas mulheres. Maria de Belém pela sensatez e organização. Marisa Matias pela sua vivacidade e coragem.

Maria de Belém daria uma boa Presidente numa situação estabilizada do país, o país mais animado, mais alegre, mais optimista. Não é o caso.

Marisa Matias pode vir a ser uma boa Presidente daqui a alguns anos. E, do mesmo modo, com o país numa situação económica e social normalizada. Esperemos que isso venha a ser o nosso futuro daqui a uns anos. 

 

Prémio de consolação: mesmo considerando que há candidatos com mau feitio e um ou outro mesmo torcidinho, os nossos comportam-se de um modo muito mais civilizado do que os candidatos americanos.

 

Sim, os trunfos de Marcelo são a força do sorriso e o afecto. Marcelo, o Conciliador.

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:06

O perfil presidencial é essencial, não a experiência

Quarta-feira, 05.01.11

 

E aqui continuo as minhas reflexões sobre as próximas eleições presidenciais. Nem sei explicar muito bem este meu interesse neste ritual cíclico da República. Preferia a continuidade do Rei, preparado para tal e com a legitimidade própria da continuidade simbólica (e aqui simbólica tem um valor mais rico, de valores estruturantes e de uma identidade cultural, as coisas essenciais da permanência). Mas não tendo ainda o Rei de volta, resta-nos um Presidente.

Talvez as duas razões principais deste meu interesse (até acompanhei entrevistas e debates), sejam:

- a nossa precária situação actual a todos os níveis, o que nos torna muito vulneráveis (e um Presidente pode atenuar ou reforçar as dificuldades previstas);

- o facto do sistema se ter começado a revelar (ups!, o sistema tornou-se visível!) e o próprio cidadão comum ter começado a perceber quem é quem no sistema em que ele, cidadão comum, não conta, a não ser para alimentar o seu estatuto e o seu nível de vida (votando e pagando impostos, isto é, enquanto eleitor e contribuinte).

 

Como é que um Presidente pode contribuir para atenuar as dificuldades? Pela sua influência, pela sua intervenção adequada, pelo que afirma, pela sua convicção interior, pela liderança de ideias e de uma atitude, pela empatia com os cidadãos que representa. A sua influência também pode ser exterior, é diferente ter alguém que percebe os tempos de alguém que está dessincronizado noutra onda. Precisamos de um perfil presidencial para o país, numa situação aflitiva e vulnerável, e para o séc. XXI.

 

Em relação ao sistema, o pior que lhe poderia ter acontecido foi tornar-se visível. Enquanto se podia colar ao regime e aos seus valores, à democracia, aos interesses nacionais, tudo lhe corria de feição. De qualquer modo, o séc. XXI convive mal com sociedades secretas ou pactos de classe, de elites que se mantêm no poder muito tempo, sem outra legitimidade a não ser a sua arrogância cultural, e a subserviência dos restantes. Mas se não tivessem puxado demasiado a corda, ter-se-iam aguentado mais uns anitos. 15 anos de socialismo foram-lhe fatais. E não estou a contar com os 10 anos de cavaquismo, que também contribuíram.

 

Vivemos, de facto, tempos socio-politicamente interessantes. Agora, pondo por segundos de parte a nossa desgraça nacional (conjuntura e lideranças políticas no poder), reparem bem no que está a suceder: as pessoas comuns, digamos assim, estão a abrir os olhos. Foi preciso ver o país afundar-se em dívidas externas, as pessoas à porta das fábricas e empresas fechadas, a grande debandada migratória, conterrâneos a passar fome, para acordar. Enquanto a desgraça não lhes bateu à porta, deixaram-se embalar pela grande mentira e a grande ilusão. Mas agora começaram a ver o que até então não viam ou não queriam ver: há um sistema organizado, uma elite protegida, acima da lei universal, acima do escrutínio público, que vive à sua custa, enquanto eleitor e contribuinte. Directa ou indirectamente, porque há a informação privilegiada, portas que se abrem, créditos que se desbloqueiam, leis com excepções que se asseguram, etc. etc.

 

People know... people know... diz o nosso herói em Thunderheart, quase no final daquela saga de índios despojados das suas terras para reservas áridas e inférteis, mas onde se descobrira urânio. Estamos mais ou menos nessa parte da história, colocaram-nos a pão e água como os índios, estragaram-nos a escola, como os índios, já se passa fome, como os índios, e ainda nos vêm pedir batatinhas na sua sofreguidão voraz, querem sugar o que pouco que resta: os impostos, o IVA, o corte cego do abono de família, a conta da EDP, o preço dos combustíveis, o buraco do BPN, as público-privadas que aí vêm, as excepções na administração pública e nas empresas públicas, e ainda se fala no TGV, etc. etc.

O filme acaba com a revelação do sistema, os suits, o FBI, os que pretensamente defendem o povo, mas que apenas defendem o sistema, a organização do poder. A partir daí, tornou-se muito mais difícil ao sistema manter a exploração de urânio e arranjar bodes expiatórios entre os índios. Muito gosta o sistema e o poder, organizado de forma corporativa, de segredinhos e de bodes expiatórios. Vive, aliás, nessa cultura, de pactos mútuos, de uma confiança baseada no interesse comum e na chantagem implícita. Isto dava mesmo um filme... mas prefiro este paralelismo com o Thunderheart. Até porque gosto muito deste nome que mistura trovão e coração.

 

 

Só mais um ponto para reflexão: Um dos argumentos republicanos preferidos é precisamente o de qualquer cidadão se poder candidatar e vir a ser eleito Presidente. Uma perspectiva muito poética e democrática, não acham? Pois não é nada assim que as coisas se passam.

Ontem, na Grande Entrevista de Judite de Sousa a Fernando Nobre, ficámos a saber das dificuldades colocadas à partida a qualquer candidato-cidadão português que tenha a pretensão de se candidatar à Presidência:

- enquanto os candidatos apoiados por partidos políticos podem receber donativos de empresas sem um limite fixado, os candidatos independentes só podem receber donativos de particulares até ao montante de 24 mil e tal euros;

- enquanto os candidatos apoiados por partidos políticos estão isentos de IVA, os candidatos independentes pagam IVA.

Onde está a tal equidade de que se gabam? A tal igualdade de condições na linha de partida da corrida? Não existe.

O jogo está viciado à partida para defender o sistema. O sistema não brinca em serviço. Protege-se. O candidato com mais condições de ser eleito já foi escolhido pelo sistema. Portanto, este é mais um argumento republicano democrático que cai por terra.

É preciso, de facto, uma grande dose de loucura e uma grande coragem para correr o risco de uma candidatura independente. Mas, como disse Fernando Nobre ontem, esta é uma oportunidade única de ver um cidadão na Presidência. E que talvez ainda passem muitos anos até um outro cidadão arriscar concorrer.

Bem, com o seu perfil, dificilmente voltaremos a ver um candidato independente. Se ao menos não tivesse ficado colado a Mário Soares logo na primeira entrevista com Miguel Sousa Tavares... Surgiu de imediato a lógica anti-Alegre, que condicionou a sua candidatura. Ontem tentou mostrar-nos que a sua iniciativa é pessoal, que o seu percurso de liderança de equipas em circunstâncias muito adversas, e algumas mesmo de situações-limite, o prova. Este argumento baseado no percurso pareceu-me bastante fiável: a realidade fala sempre por si. E a situação actual do país é de emergência. Outra condição que me parece ter acabado por atenuar esse primeiro equívoco é ter tido o apoio de pessoas comuns, cidadãos comuns, voluntários. Talvez porque as sondagens o tenham subvalorizado, a sua candidatura perdeu interesse estratégico... Quem ganhou foi o próprio candidato que agora pode, de facto, afirmar de forma inequívoca, a sua independência.

 

 

Voltando ao perfil presidencial, aqui vão algumas reflexões a que me fui dedicando num outro cantinho: HELP!, E o mundo mudou mesmo em quinze dias!, A agendinha do Professor Marcelo, E sobre as presidenciais não digo mais, Porque é que a direita não tem candidato presidencial?

 

 

E um desejo de 2008, que se poderia realizar em 2011, se a vida real imitasse a ficção científica (snif): Para um "novo cidadão" um "novo político".

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:20

Como será governar com o actual Presidente mas, em vez de inerte, activo?

Terça-feira, 04.01.11

 

Não sei o que deva temer mais: se a inércia do Presidente nestes 5 anos, se a sua prometida "magistratura activa". Agora? A quem se está a dirigir? À direita que não se revê na sua candidatura? Aos partidos do centro-direita?

 

Como será governar com o actual Presidente mas, em vez de inerte, activo? E activo como? Em que sentido?

Para já, se esteve impassível durante a derrocada do país, o que poderá fazer agora depois da destruição?

E ao observar, impávido e sereno, as escolhas erradas de um governo, e pior, a mentira generalizada, não poderá ser legitimamente considerado cúmplice do desastre?

 

O que foi fazer para aquele lugar, afinal? Foi apenas uma questão de estatuto, sou o Presidente de todos os portugueses? Não é o Presidente o último recurso, a derradeira garantia, da defesa da democracia e do regime? Então, e a nossa soberania não entra nessa fórmula? Os mais indefesos e vulneráveis do povo português, de que diz ser Presidente, não têm aí lugar? Como diz Medina Carreira, sem economia não há democracia.

Só o vimos reagir quando lhe tocaram nos seus preciosos poderes. E agora, em campanha eleitoral. O que mostra, para já, a dimensão da sua verdadeira motivação original.

 

Seguidamente, como será a vida de um PM não socialista, com o actual Presidente, mas desta vez activo? Que já não tem nada a perder, porque já não há eleições pela frente? E ainda por cima, representando o sistema no que tem de pior, a cultura corporativa? Se isto não são boas perspectivas para o cidadão comum, o que paga a factura e alimenta as "elites políticas", também não é nada promissor para os partidos de direita.

 

E finalmente, como será governar com o actual Presidente no contexto de pobreza generalizada, dificuldades de todo o género, a afectar sobretudo as crianças e os idosos, os mais vulneráveis, e as famílias, sobretudo as numerosas?

Se nunca revelou a mínima empatia com os mais desprotegidos de uma democracia de plástico, mas apenas se emocionou com os casos de sucesso? Nesse aspecto, revelou muitas semelhanças, no perfil, com o actual PM. Embevecidos com o sucesso, esquecendo os excluídos do sistema.

Se nunca percebeu que o seu lugar implica muito mais do que assinar documentos ou receber personalidades na salinha de visitas presidencial? Se nunca entendeu a abrangência do lugar que ocupa, a nível social e cultural? Se nunca viu as possibilidades que o seu lugar lhe abria, de influência a vários níveis da nossa vida colectiva?

 

Se não esteve à altura dos desafios que vivemos de 2006 a 2010, o caminho governamental para a desgraça já expresso no OE 2008, também não está à altura dos desafios que iremos enfrentar de 2011 em diante. Até porque não revela perceber os desafios essenciais das lideranças do séc. XXI: informação, rapidez, flexibilidade, eficácia, empatia, colaboração, comunicação em rede.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 08:59

O momento zen da política nacional em 2010: debate Cavaco Silva - Manuel Alegre

Sexta-feira, 31.12.10

 

Um ano nada animador este que está a findar... refiro-me às perspectivas económico-sociais de um país desmoralizado, refiro-me à política nacional, refiro-me aos actuais gestores da nossa vida colectiva e aos que se prevê virem a seguir, ou seja, a continuidade da mesma mediocridade. A não ser... que entretanto o cidadão comum comece a abrir os olhos e a querer mudar de rumo.

 

Mas até lá, é a campanha presidencial, para já. Digo-vos, tenho evitado assistir aos debates por completa ausência de motivação, mas resolvi assistir a este Cavaco Silva - Manuel Alegre. E valeu bem a pena. Temos tido tão poucas razões para rir um pouco, aquele riso solto que faz tão bem à alma. Talvez o meu sentido humorístico esteja um pouco retorcido, mas o que vi naquele debate foi um momento zen da política nacional.

Ainda agora, passado um dia e umas horas, se recordar uma ou outra cena, uma ou outra line, é certo e sabido que não consigo conter uma boa risada. Ele fica crispado... ele não aceita as críticas... ele confunde debate político com crítica pessoal... e isto dito em tom teatral, é o suficiente para ir às lágrimas.

Fui insultado mais de 50 vezes... Podem ler tudo no site da Presidência... e isto dito num tom paternalista e professoral, inspira-nos o riso, pelo contraste cómico de um rosto presidencial, amargurado e injustiçado, com um rosto vivaço, de um Alegre filmado em contraponto.

Por momentos pensei estar a ver um dos episódios do Bucha e Estica, mas também podia ser D. Quixote e Sancho Pança.

Seja como for, foi o nosso momento zen, não temos melhor neste ano 2010.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 00:22

As vozes estruturantes: sociedade civil, Igreja e CDS. Só falta mesmo um Presidente

Sábado, 27.11.10

 

As vozes estruturantes são aquelas que promovem a coesão social, o sentimento de pertença a uma comunidade onde ninguém é excluído, e que estão atentas às necessidades dos mais desfavorecidos.

São as vozes estruturantes que têm garantido a paz social, evitando rupturas e fracturas. E que têm atenuado o maior desespero de todos: a fome.

Aqui não me refiro, evidentemente, às vozes teatrais, visitas programadas, palavras circunstanciais, tudo muito calculado mas inconsequente. Refiro-me a atitudes concretas, gestos, trabalho sistemático e diário, esforço, tempo, dedicação.

 

Portanto, só podemos aqui considerar como verdadeiramente estruturantes, as seguintes vozes:

 

- a sociedade civil: é aqui que a dinâmica da solidariedade se tem expandido mais, em inúmeras iniciativas (associações e organizações, grupos de voluntários, etc.), no apoio aos mais vulneráveis (sem-abrigo, pobres, novos-pobres, crianças, idosos, portadores de deficiência, etc.) nas mais variadas áreas (abrigo, refeições, agasalhos, saúde, companhia, etc.); não esquecer também iniciativas concretas de alguns municípios, tendo sido a mais recente e mediática a de Rui Rio, que irá manter as cantinas de algumas escolas abertas nas férias do Natal, com a possibilidade de vir a repetir a iniciativa nas seguintes (se isto não foi uma estalada sonora, daquelas dos filmes do John Wayne, no governo e nos representantes ao mais alto nível do país que andam a adiar a intervenção do FMI, o que foi?);

 

- a Igreja: também tem tido um papel fundamental, em estreita colaboração com a sociedade civil. Além de alertar para a consciência cristã, tem garantido, através das Misericórdias, muito do apoio atrás referido. Intervenção activa indispensável para evitar as tais fracturas, rupturas e desespero das populações mais carenciadas. A resposta do governo socialista tem sido a dos tais cortes orçamentais, e não apenas nas Misericórdias mas nos estabelecimentos de ensino (a falta de visão deste governo socialista chega a ser histórica). Recentemente, vendo-se na iminência de ter de fechar algumas valências por falta de recursos, a Igreja tem apelado à solidariedade cristã e, concretamente, à partilha da própria mensalidade dos padres (outra estalada sonora à John Wayne no governo socialista e nos representantes ao mais alto nível do país que andam a adiar a intervenção do FMI);

 

- o CDS: o único partido com assento parlamentar que tem apresentado sistematicamente medidas alternativas eficazes, que permitam crescimento económico e emprego (política fiscal, incentivos às pequenas e médias empresas), que defendam as áreas-chave da economia do país (agricultura, pescas, etc.), que protejam os mais desfavorecidos (actualização das pensões de reforma mais baixas, manter o abono de família, etc.), que permitam um equilíbrio social e a coesão social.

 

Porque não considerei o PSD? Será preciso apresentar aqui as razões? Estão todas à vista e ainda bem, sim, ainda bem, que o povinho teve a possibilidade de ver com os seus próprios olhinhos a verdadeira e inequívoca natureza do PSD que, por "patriotismo" aceitou os PECs e este OE 2011 miserabilistas e imorais, nem se preocupando com a redução drástica da despesa estatal. Finalmente, ficou visível a sua cultura corporativa. Bom proveito.

O BE? Que recentemente votou pelo TGV, o tal investimento público para reanimar a economia? E que promove greves gerais que só reforçam a cultura corporativa? Já repararam que o BE podia ser resumido nesta frase: "muita conversa, poucos resultados?"

O PCP: idem aspas aspas.

 

São, pois, estas as vozes estruturantes: a sociedade civil, a Igreja e o CDS.

 

Podem perguntar-me: e o Presidente? Não tem sido uma voz que promove a unidade, a estabilidade e a coesão social? Palavras circunstanciais, tudo muito calculado mas inconsequente, não iniciativas concretas e gestos inequívocos, reveladores de uma consciência social.

 

Aceite a desilusão de ter perdido um país para sempre - o "país antigo" dos valores comunitários e da cultura da amabilidade -, ainda assim posso sonhar com um país "regenerado" ou "restaurado".

Não adiro, pois, ao conformismo generalizado de que não há uma possibilidade, uma única, de ver um Presidente que seja uma voz estruturante.

 

Aqui defini o perfil ideal de Presidente da República e procurei perceber porque é que a direita ficou sem Presidente.

Reparem bem neste perfil, procurem melhorá-lo, pode faltar lá alguma qualidade que terei esquecido. Uma liderança que garanta estabilidade, mas que saiba antecipar e não apenas reagir, que tenha uma visão de país preparado para os desafios do séc. XXI.

Quem se aproxima mais deste perfil?

Reparem também num simples pormenor: a experiência presidencial do candidato não é a condição mais importante. Tendo o perfil adequado, aprenderá depressa. Além disso, tem os Conselheiros e todo um staff protocolar. Mais importante é o perfil adequado.

 

Aqui também analisei as diversas candidaturas:

~ o fenómeno irrepetível Alegre-2006, que foi um equívoco;

- a candidatura de Fernando Nobre, que nasceu também de um equívoco (um desafio de um ex-Presidente que não quis ver Alegre brilhar, como se isso se fosse repetir), mas que pode vir a tornar-se no novo fenómeno, nesta fase em que a pobreza se tornou visível e urgente;

- e uma recandidatura já anunciada, festejada e glorificada (com a aprovação do miserabilista OE 2011 e o adiamento da intervenção do FMI), antes mesmo das eleições presidenciais em finais de Janeiro. É esta a dimensão da soberba e do paternalismo da cultura corporativa.

 

Clarificação deste post a 2 de Outubro de 2015: Quando releio este tipo de posts por mim escritos há anos, fico completamente arrepiada. Será possível que eu tenha pensado assim? Vozes estruturantes?

A Igreja já não é a do D. Eurico Dias Nogueira nem a do D. Manuel Martins dos anos 90. Graças a Deus há o Papa.

O CDS nunca foi democrata nem cristão.

E não votei no Presidente que a direita escolheu.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:16

Definam-me, por favor, "magistratura activa"

Quarta-feira, 24.11.10

 

A blogosfera nacional está em alta tensão, refiro-me à política. A campanha presidencial sobrepõe-se agora à "inacção presidencial". Não pude, pois, deixar de ficar surpreendida com esta promessa presidencial, no arranque da sua campanha, na universidade católica: A minha próxima magistratura irá ser uma magistratura activa.

 

Percebi bem? O Presidente não percebeu o paradoxo? Então, esta que está a findar, foi passiva porquê? Então, as suas explicações para justificar a sua incapacidade ou impossibilidade de agir, não caem por terra? Há por aí uma alminha caridosa que me possa esclarecer? Definam-me, por favor, "magistratura activa".

 

E os universitários assimilaram os argumentos justificativos sobre a cooperação estratégica? E sobre a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo? O que é que os universitários terão pensado de tanta justificação presidencial? Gostava de saber...

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 08:32

Coisas simples: as traições

Sexta-feira, 18.06.10

 

As traições acompanham-nos pela vida fora e é preciso aprender a viver com isso. A primeira traição, e talvez a maior, deve ser quando percebemos que o nosso olhar infantil idealizou as criaturas em redor e os nossos heróis se transformam subitamente em tiranos, grandes e pequenos, talvez sobrando um ou outro, os mais velhos e mais sábios, um olhar amável e um abraço sincero. Todos os outros nos querem domar ou domesticar.

É certo que também nós começamos a trair, não propriamente porque queiramos trair, mas porque isso passa a fazer parte da nossa lógica humana. A pior traição de todas é abandonarmos os nossos sonhos, as nossas esperanças secretas, e baixarmos as expectativas. Essa é de longe a maior traição de todas.

A maior parte das traições humanas nem são premeditadas. E muitas até nem serão traições propriamente ditas. A comunicação entre pessoas é um mundo de mal-entendidos e equívocos, logo, trata-se de tentar desfazer o mal-entendido e o equívoco, se ainda formos a tempo. É que a maior parte das vezes sofremos desnecessariamente com esses desencontros. E há desencontros que são uma verdadeira pena.

 

Se na vida é assim, imaginem agora na política... Percebem onde quero chegar? Aqui temos o mundo predilecto das traições e nem estou a falar de traições entre políticos, esse então deve ser fervilhante de traições e traiçõezinhas diárias. Não, estou a falar de políticos e eleitores.

E nem me estou aqui a colocar no papel de quem não se engana ou se sente traído quando aposta, no voto, numa determinada equipa ou política. Ultimamente até me sinto duplamente traída. Votei a contar com um cenário e sai-me outro. Não votei noutro porque receava que aquilo viesse a acontecer e fui votar precisamente no cenário em que aquilo que mais receava aconteceu... estão a ver o filme?

Agora tentem por uns segundos posicionar-se na situação de um cidadão comum que votou no actual Presidente. E não é o meu caso. Com o que podia contar? Alguém estável, consistente e coerente. Certo? Eu nem sabia que era católico, nunca me tinha apercebido até vê-lo realmente a acompanhar a peregrinação do Papa desde Lisboa ao Porto, passando por Fátima. Não fosse isso, nem saberia que era católico. Portanto, a condição de católico só sobressaiu, digamos assim, nesse período da visita do Papa, não foi? É, pois, irrelevante que seja católico ou não, a não ser pelas expectativas que reforçou no tal cidadão comum.

Semana seguinte à visita do Papa: uma declaração coerente com um veto previsível, não era? Era. Toda a declaração apontava para o veto ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas... surprise! Era só para criar suspense no pobre cidadão comum, gozar com a sua cara de miúdo traído: promulga-se a lei para que o cidadão comum não perca mais tempo com pequenos pormenores como esse de incluir no casamento mais esta modalidade, nada de importante realmente...  (1)


Claro que as "elites políticas" e as "elites culturais" concordam com este paternalismo presidencial. O cidadão comum é um ignorante destas coisas da política, deste pragmatismo, desta estratégia. E se se sentiu traído com a promulgação presidencial, paciência! Se o cidadão comum não está satisfeito com o actual Presidente, pense bem antes de movimentar as águas paradas do regime, é que do lamaçal pode surgir uma alternativa bem pior! Até há pouco tempo também pensei assim, qualquer das alternativas é realmente assustadora.

Mas o melhor seguro de vida do PS é o actual Presidente, os socialistas querem-no lá. O actual Presidente é a sua melhor opção. Já repararam como o PS continuou a governar em maioria relativa como se ainda tivesse maioria absoluta? E o Presidente continuou a cooperar como se o PS ainda fosse maioria absoluta? Forçou a aprovação do PEC ainda com Manuela Ferreira Leite, lembram-se? Acarinhou este "bloco central" para esmifrar o contribuinte à socapa, a 13 de Maio. E, mal o Papa voltou a Roma, promulgou a lei fracturante declarando não concordar com ela.

 

Talvez estes episódios só possam ser devidamente analisados mergulhando na segunda camada da realidade, mas a essa segunda camada já o cidadão comum não tem acesso. Apenas pode deduzir, baseando-se nos dados que tem à mão.

Chamem-lhe "maioria mais estúpida do mundo", "idiotas úteis", "shreks da pseudo-direita" (de longe a minha preferida), o que quiserem, o cidadão comum que não se sente representado pelo actual Presidente e que não quer nenhuma das alternativas, tem o direito legítimo de procurar o seu candidato. Alguém realmente independente da política partidária, da lógica paternalista de consensos medíocres e nefastos como esse "bloco central".

O salto que temos de dar é decisivo: é preciso alguém que respeite o país, os cidadãos, a sua história, o seu futuro possível. Que entenda a política de forma inteligente e abrangente.

 



(1) Nota a 22 de Abril de 2013: Passados quase 3 anos sobre este post, gostaria de referir aos Viajantes que por aqui passam que a minha consciência se expandiu, não sei explicar melhor, tornou-se mais abrangente, é como uma visão do grande plano, como aqueles mapas do Google que podemos distanciar ou fazer zoom do local que queremos observar.

Assim, gostaria de clarificar o seguinte (e vou procurar fazer estas correções nos posts com ideias que entretanto abandonei), não porque a minha opinião tenha qualquer peso na vossa perspectiva, mas porque não quero que a minha voz contribua para equívocos de separação entre pessoas, entre vidas, entre sonhos pessoais:

Hoje aceito, sem quaisquer reservas, qualquer modalidade de casamento que se queira introduzir na lei, excepto evidentemente aquelas que sejam contrárias ao princípio de liberdade e responsabilidade, isto é, a vontade expressa e assumida por cada um e a idade que se convencionou como a adequada para a autonomia necessária a uma tal decisão. É que embora sempre tenha considerado como natural a opção por cada forma de organizar a vida, sendo um direito de cada um escolher como quer viver, não sendo essa liberdade individual intrínseca negociável, em relação ao casamento propriamente dito a minha posição era muito fechada e rígida. Simplesmente não conseguia perceber a importância que lhe atribuíam, ao ponto de o querer adaptar e alargar a essa nova modalidade. Pensava eu na altura que isso o iria desvirtuar. Não percebia porque é que não criavam uma modalidade própria, um contrato próprio com outra designação.

Quando começamos a ver o grande plano percebemos que cada um tem o direito de atribuir importância a um sonho que sempre o acompanhou. É essa a dimensão da liberdade e do respeito por si próprio e pelos outros. Este era um dos meus equívocos que fica aqui esclarecido.

 

 


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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:55

Perguntas simples: como seria actualmente o Zé Povinho?

Sexta-feira, 11.06.10

 

Parece que o Zé Povinho de Bordalo Pinheiro vai fazer 135 anos amanhã. Hoje seria possível sintetizar o português típico, o português médio, e criar cartoons assim? Aquele gesto rebelde, desconfiado, irónico, e com sentido da realidade?

À primeira vista o Zé Povinho é percebido como pobre, irremediavelmente e tristemente pobre, mas essa é só a primeira impressão. Porque o Zé Povinho é, acima de tudo, um realista que sobrevive em condições hostis e adversas, faz o que pode com as possibilidades que tem à mão, é aliás muito criativo e ágil, é assim que o imaginamos, cheio de recursos de um raciocínio rápido e desembaraçado.

Podemos também ver um lado maroto, manhoso, capaz de rodear algumas regras básicas de convívio social? Sim, esse lado pode estar lá também. Mas vejo-o mais como um dos recursos por vezes necessários para sobreviver. Creio que o Zé Povinho entendia a "coesão", a palavra mais utilizada no discurso presidencial, porque era a única forma de sobrevivência comunitária. O povo estava sobretudo entregue a si próprio e à sua capacidade de trabalho. Haveria gestores do poder relativamente próximos, na altura o poder político estava mais diversificado pelo país, mas a sua base de sobrevivência era a sua capacidade de trabalho e a sua "coesão" comunitária.

 

Creio também que hoje o cidadão comum tem a noção da importância da "coesão nacional", mas muitas comunidades esfumaram-se numa nova organização territorial e política. O seu progressivo desenraizamento dificulta a tal "coesão nacional", a diferença económica e política entre-regiões também dificulta essa "coesão nacional", a distância de rendimentos e de direitos de uma "nova elite estatal" e o resto dos cidadãos também dificulta a tal "coesão nacional".

Pessoalmente, ao ouvir ontem o discurso presidencial senti uma enorme vontade de repetir o gesto do Zé Povinho a toda esta cultura republicana. Então, somos nós os cidadãos que ainda temos de ser os supostos destinatários do discurso da "coesão nacional"? O Presidente não assistiu quietinho e caladinho a todo o processo de rupturas nacionais (litoral-interior e norte-sul), à erosão de valores culturais estruturais, à fractura essencial na tal "solidariedade" entre "novos ricos" e "novos pobres"?

Pois é, nós só servimos de supostos destinatários de um discurso que era todo ele "recadinhos ao governo". E sabem porquê? Porque na ausência de relações institucionais, serve o cidadão comum como o único elo de ligação de um discurso dirigido aos gestores do poder. E tem sido assim em todos os discursos.

 

Esta cultura republicana não respeita o cidadão comum. Trata-o com o paternalismo de quem nem sequer o entende nem entende o país: território, cultura, história. O cidadão comum está sozinho, tal como o Zé Povinho de Bordalo Pinheiro, entregue a si próprio, só serve para pagar a factura de incompetências, caprichos e excentricidades das "novas elites" estatais. Com a agravante de ter parte do país desertificado, fechado, desactivado, e o poder concentrado em Lisboa. Com a agravante de metade da população estar desenraizada, no litoral ou noutros países.

Sim, o gesto do Zé Povinho seria o mais adequado a quem não revelou qualquer sensibilidade ou respeito pelo cidadão comum que diz representar. Só que não seria consequente. E também o Zé Povinho não se ficava por aí.

E se os deixássemos a falar sozinhos em palco e começássemos a pedalar por nós próprios? A não nos deixarmos abater pela mediocridade que nos impõem nem a entalar em impasses que nos escravizam?

Coesão é uns com os outros, os cidadãos uns com os outros, essa é a verdadeira coesão.

E nas próximas eleições, analisarmos muito bem quem esteve ao nosso lado e quem se colocou num pedestal de "novas elites" estatais que vivem à custa do contribuinte.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 14:46








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